12 de jun. de 2026
O que Stanford ensina sobre o que o Brasil ainda precisa aprender em finanças climáticas
Carbono Global

Participamos do Stanford Sustainability Forum, realizado pela Stanford Doerr School of Sustainability, um dos principais encontros globais voltados aos desafios da transição climática, inovação e sustentabilidade, e fomos a única empresa brasileira convidada a participar do evento.

Rogério Studart (Economista Chefe, YangPlanet) e Vicki Veenker (Prefeita de Palo Alto, Califórnia, EUA)
O encontro reuniu lideranças acadêmicas, investidores, cientistas, empresários e formuladores de políticas públicas, incluindo ex-secretários de Energia dos Estados Unidos, representantes do ecossistema de venture capital do Vale do Silício e lideranças de organismos multilaterais.
Representando a empresa, o economista-chefe Rogério Studart participou das discussões e identificou três aprendizados centrais.
Multidisciplinaridade como velocidade
Um dos aspectos mais marcantes foi a rapidez com que a sustentabilidade foi transformada em tema transversal dentro da universidade, mesmo em um contexto em que o apoio político ao tema nos EUA está claramente complexo.
Studart compartilhou que "A escola tem apenas três anos e já conseguiu integrar engenharia, biologia, física e diversas outras áreas em torno do tema da sustentabilidade. Isso mostra a força de uma abordagem verdadeiramente multidisciplinar".
A Stanford Doerr School of Sustainability foi a primeira nova escola criada pela Universidade de Stanford em mais de 75 anos, a partir de uma doação de US$1 bilhão do investidor em tecnologia John Doerr, chairman da Kleiner Perkins.
A ciência climática avança. Com esperança.
O segundo aprendizado veio do avanço científico e tecnológico observado ao longo do Summit. As discussões sobre restauração ambiental, recuperação de ecossistemas e transição energética reforçaram uma visão mais otimista sobre a capacidade de resposta da ciência diante da crise climática.
"As discussões sobre restauração, recuperação ambiental e transição energética me deram muita esperança. Há uma quantidade enorme de soluções tecnológicas, especialmente as chamadas soluções com base na natureza, sendo desenvolvidas para enfrentar os desafios climáticos", destacou.
Quando a ideia é boa, o capital aparece. Mas isso não é universal.
O terceiro aprendizado foi o mais revelador: o financiamento ocupou um papel relativamente secundário nas discussões do evento. No ecossistema de inovação do Vale do Silício, quando surgem boas ideias, o capital tende a aparecer naturalmente, dada a profundidade do mercado e a estrutura de venture capital disponível.
No Brasil, a realidade é outra. O mercado brasileiro de venture capital representa cerca de 1% do americano em termos de desembolsos anuais.
Ele também contou que "Temos um enorme duplo desafio no Brasil: aumentar simultaneamente o número de projetos de qualidade, investíveis ou elegíveis a diferentes formas de capital paciente, e ampliar a disponibilidade de capital para financiá-los. Na YangPlanet, estamos justamente tentando ajudar a construir essa ponte".
A participação no Stanford Sustainability Forum reforça o posicionamento da YangPlanet na construção de pontes entre inovação, clima, finanças e transformação econômica.